Chegada a Calecute
Ultrapassados todos os obstáculos impostos pelo caminho, como o simbólico e apaixonado Adamastor, a Tempestade ficcionada, chegou a hora da recompensa, o realizar do tão desejoso “sonho”. Depois de tanto tempo de má alimentação, de todas as doenças sofridas como consequência, ouve-se, da gávea, a tão esperada expressão:
- Terra à vista! Terra à vista! – gritou o nauta.
Mas ninguém acreditou, pois aquele nauta sofreu, durante a viagem, um défice visual em relação ao considerado normal. Quando, de repente, avistei uma gaivota poisada no mastro, e nesse preciso momento, todos corremos para a popa do navio, para contemplar a tão desejada terra.
Lá ao fundo, descobria-se uma pequena porção de terra, pintada em tons de castanho e verdes. Uma terra sob inúmeras espécies de aves. Avistavam-se também alguns pontos azulados, que podiam ser identificados como pequenas imperfeições daquela pintura tão real, mas que com uma visão mais atenta, se transformavam em deslumbrantes cascatas de transparentes lençóis de água.
À medida que nos íamos aproximando da desconhecida terra, um cheiro suave e inexplicável ia-se tornando cada vez mais intenso. Já nada se sentia, nem os sintomas das tão vastas doenças, nem o forte balançar do navio, nada, apenas se sentia a ansiedade de atracar.
A ansiedade terminou, os 9 árduos meses chegaram ao fim, atracámos. Temerosos e especulativos do que nos esperava, invadimos um bosque e através dele, chegamos ao centro de Calecute.
O suave cheiro tornara-se num magnífico aroma a especiarias; ouviam-se diferentes palavras, diferentes entoações, uma nova linguagem.
Avançámos e fomos detectados, identificados como intrusos e levados ao Rei. Contámos ao Rei a nossa turbulenta e tempestuosa viagem e o Rei ofereceu-nos um esplêndido banquete, convidando todas as pessoas importantes da Índia.