Numa bela tarde, estava eu passeando pelo parque, quando, de repente, tive a sensação de que alguém estava atrás de mim, virei-me e reparei num ser estranho, nunca antes visto. Ele tinha um olho, era verde e parecia ser amigável. Com tantas diferenças dos humanos, fiquei curiosa, também estupefacta, mas decidi tentar conhecê-lo.
- Olá! Como te chamas? – Disse eu na expectativa de que ele me percebesse.
- Olá! Eu chamo-me Loren e tu? – Disse o ser sobrenatural com um sotaque muito estranho.
- Eu chamo-me Ana. De que planeta és?
- Eu sou do planeta dos sonhos.
- Do planeta dos sonhos? Esse planeta localiza-se na Via Láctea?
-Sim, vocês chamam-lhe Lua.
- Na Lua? Mas porquê que os nossos astronautas e os nossos cientistas nunca vos descobriram de nenhuma maneira?
- Porque nós só somos visíveis cá na Terra.
- E vocês só falam português?
- Não, falamos todas as línguas existentes.
- Mas… mas como? Porquê?
- Porque como te disse, sou do planeta dos sonhos, é um Mundo de encantos e fantasias, de cores e alegria. Lá fabricamos todos os vossos sonhos e enviamo-los durante o vosso sono. Levámos-vos numa viagem, uma viagem imaginária ao nosso planeta, cada um de vocês, todas as noites, visita um canto do nosso planeta. Por vezes, só lá alcançam a verdadeira felicidade, pode durar poucos minutos, mas, como que aconteceu. Muitos nem notam que é tudo imaginário, e, quando acordam, desiludem-se. Muitos irritam-se porque acordam ou alguém os acorda no “clímax da viagem”.
-Não fazia ideia de que alguém fabricava os nossos sonhos, achava sim que era um elemento próprio do sono, um momento criado por cada um de nós. Também são vocês que criam os pesadelos?
- Não! Nós só procuramos a felicidade interior de cada um e não os seus medos.
- A tua visibilidade, o tempo que podes cá estar, são limitados?
- São sim, tenho apenas mais 5 minutos.
- Só 5 minutos? Tenho tanto para te perguntar.
- Não há tempo. Prometo que volto.
Dito isto desapareceu por entre uma cortina de fumo e não deixou nem um vestígio da sua presença.